Essa
nova safra de jovens autores combinam entre si, só pode. Ardendo meus olhos na
fonte mais rica de coisas de idiota, encontrei o vocábulo
BARATA em quatro textos diferentes:
"Sobre a mesa já estão o pãozinho que sobrou de ontem, uma faca e sua caneca com os dizeres “Fator Barata [cockroach factor]: (s.) Termo que descreve a habilidade de sobrevivência de uma pessoa a qualquer tipo de acidente.”.
Teve gente que foi além e ousou começar o texto com fragmento de artigo que começa assim:
"
Baratas!
A nossa sociedade sofre de um grave preconceito contra esses pobres animais. Baratas são exterminadas impiedosamente, única e covardemente por suas aparências."
Hmm, entendo. Prosseguindo:
"Tudo parecia bem, com exceção das
baratas que insistiam em forçar a tampa dos bueiros, provocando as explosões em série que atormentavam a cidade havia meses."
Este último conseguiu - UAU! - finalizar com uma sentença diretamente psicografada do líder da Legião Urbana:
"
Mas na verdade a culpa era dos ratos, baratas e cupins que, em pleno inverno, migravam via subsolo, diretamente do Planalto Central. E assim, passado o susto de seu exame, Lauro continuou a caminhar entre um bueiro e outro, lembrando-se de comerciais e com a certeza de que viveria ainda muito tempo para ver sob os bueiros da cidade os ratos que vinham de Brasília."
Quando pensei ter visto todas as baratas - estranhando a ausência de alusões ao Kafka - , sou obrigada a coroar o
idiota randômico do dia:
"Sei que especialistas dirão que Kafka nunca usa a palavra “barata” no livro, mas os especialistas aqui pouco importam, a tradição dos leitores imortalizou a barata em Kafka. Ela é parte da formação de qualquer amante da literatura. E mais: o importante na leitura de um livro como esse é como ele faz você ver a barata no seu espelho. Em Kafka, a literatura se realiza quando você vê a barata refletida no espelho. Ao final, a barata Samsa morre de tristeza na janela."
Como podem notar, foi impossível não grifar tudo.